eu li, eu vivi…

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Nas minhas pesquisas sobre imigração eu me deparei com vários blogs que relatavam como foi o processo, as despedidas, a chegada e o dia a dia. Eu, para falar a verdade, pouco lia sobre o processo em si pois eu queria mesmo era saber como era a vida aqui, se a mudança valia a pena pelos olhos daqueles que já haviam tentado e conseguido, queria saber sobre as curiosidades dessa província, queria acompanhar o dia a dia mesmo. Por vários dias eu me via imersa na vida de uma família, depois na vida de um casal, na vida de uma pessoa solteira e por aí vai. Li bastante. Li inúmeros blogs e acompanhei os mais diversos relatos sobre esse status eterno de “imigrante” e a frase que eu mais via era que cada caso era um caso e o que é bom para um pode não ser bom pro outro. Isso realmente é verdade. A história de vida das pessoas, as conquistas no Brasil, coisas que são importantes, coisas que estamos dispostos a abrir mão e outras que não largamos de forma alguma realmente definem a vida de uma pessoa em um outro país e nenhuma história é igual a outra pois nenhuma pessoa é igual a outra e cada um tem sua particularidade.
Eu lia muito sobre o frio e o que posso dizer é que o frio em si não me incomoda tanto, o que me incomoda é a duração do inverno e o fato de sair de casa virar uma novela.

Eu lia sobre o quão difícil pode ser financeiramente no início e que precisaríamos abrir mão do estilo de vida que tínhamos no Brasil. Para mim o que mudou mesmo foram as saídas… sinto falta de poder sair todo fim de semana e ir em um restaurante e o dinheiro gasto não pesar no orçamento. Aqui cada saída desse tipo é um planejamento junto a planilha de gastos. Realmente a maioria das pessoas aqui não fazem muito esse tipo de programa e para onde vão levam a sua marmitinha… se vão curtir um show, lá estão eles com sua marmitinha. Um casal sair e gastar mais de 40 doláres em uma noite? Absurdo!! Por outro lado não estou sofrendo no que diz respeito a coisas que no Brasil são comuns como diaristas. Aqui é cada um por si, mas não vejo diferença porque fui criada sabendo cozinhar, lavar, passar e cuidar da casa… conto nos dedos as vezes que precisei de diarista para alguma coisa.

Eu lia muito sobre como as coisas são baratas aqui e mal via a hora de chegar para poder consumir tudo aquilo que eu não consumia no meu país. Quando eu penso nas coisas que eu tenho dentro de casa e comparo com as que eu tinha antes de vir pra cá, realmente eu vejo como o acesso a certas coisas é maior. Moro em um apartamento mais aconchegante do que eu morava em Sorocaba e isso com o meu esposo ganhando bem menos do que ganhava em SP. Porém nem tudo são flores, sabe aquelas coisas de mulherzinha que no Brasil custam uma fortuna e que falamos o tempo todo que no exterior isso, no exterior aquilo… pois é, morando aqui o meu acesso a essas besteirinhas aumentou, claro, mas para comprar também não deixa de ser um planejamento. Se nossa renda aqui fosse a mesma que tínhamos no nosso país falando de 1 para 1, seria uma maravilha, mas aqui os impostos são altos, boa parte do salário vai embora na folha e tirando todas as necessidades básicas o que sobra não dá para ficar consumindo cosméticos da Loreal, nem comprando make na Sephora, nem batendo ponto na H&M. Mesmo sendo mais barato, pesa no salário igualmente como pesaria no Brasil ou até mesmo mais. Virei a doida da etiqueta vermelha e quando vejo algo em promoção eu me permito ficar tentada pois aqui promoção é de verdade e não tudo pela metade do dobro (rsrsrs). O acesso aumentou, mesmo assim meu consumo é consciente pois não dá para se deixar glamourizar, senão as besteirinhas quebram o orçamento.

Eu lia sobre a comida, sobre os passeios, sobre o idioma, sobre como o imigrante é tratado e muito mais. Mas por enquanto é isso… eu lia e pude constatar certas coisas que para mim nesse momento são verdades absolutas, depois podem não ser mais e para outras pessoas nunca foi.
Vou ficar dividindo essas constatações para lá de pessoais aqui no blog sempre que alguma aleatoriedade vier aos meus pensamentos, mas por hoje é só.

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Um comentário sobre “eu li, eu vivi…

  1. Acho que um problema no caso do Brasileiro é dá importância demais a produtos importados, eu mesma me pego fazendo isso às vezes, por que de repente temos que consumir Sephora se sempre usamos Boticário, Avon e Natura e gostávamos? São melhores? Não necessariamente, comprei um rímel na Sephora como a prova d’água e sempre que choro de ri o rímel derrete todo, o meu de 15 conto da Avon dá conta do recado.

    O que sempre me animou pouco pra imigrar foi o salário, se eu soubesse que iria ganhar o dobro eu imigraria mais fácil, como quando saí do Ceará, pq sendo imigrante, você deixa uma família para trás e o desejo de estar com eles, em alguns casos é claro.

    Mas viver uma cultura diferente tem me parecido muito bacana, um intercâmbio com passagem de volta já me deixaria bem feliz! 🙂

    Desejo que vocês sejam sempre felizes e conquistadores dos sonhos! Beijão

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