Casa nova: Montréal

Eu já disse varias vezes que imigrar é um lance doido. As pessoas que você conhece estão sempre de passagem. A gente está constantemente se entregando ao lugar, as pessoas, ao novo e isso faz com que a gente cria laços tão fortes que é até difícil explicar. Na verdade eu não vou falar “a gente”, vou falar “eu”, pois nesses dois anos de Canada EU criei vínculos fortíssimos com algumas pessoas e com alguns lugares e as vezes partir e quebrar esse no que me ata a alguma coisa ou alguém, parece ser mais difícil do que se possa imaginar.
Foram dois anos que passaram voando, dois anos nos quais eu cometi tantos erros, chorei litros, ri outros tantos. Me empolguei, desanimei, conheci, esqueci, me entreguei e ao mesmo tempo me escondi. Se me perguntassem se eu me arrependo de alguma coisa eu na verdade teria uma lista gigante de coisas a citar, pois eu sou dessas, um arrependimento atras do outro… mas se isso me diz algo é que eu continuo tentando.

Pois bem, no dia seguinte a data na qual completei 2 anos em Quebec se tornou oficial a minha mudança para Montreal. Na verdade eu ja sabia que ia mudar, mas ainda não tinha uma data especifica por conta de burocracias. O Wesley ja tinha ido (ou vindo) a praticamente 2 meses, mas eu continuei em Quebec. Eis que agora aqui em Montreal eu começo esse novo ciclo da mesma maneira que iniciei na antiga cidade: morando de coloc e muito provavelmente será pelo mesmo período de tempo. Deixei pra trás uma cidade linda, alguns amigos que eu quero poder guardar pra sempre, assim como momentos maravilhosos. Vim pra ca para poder voltar a faculdade. Depois de 2 anos dando um stop nos planos de praticamente uma vida toda, recebemos nosso RP e finalmente posso me inscrever em uma universidade e voltar a estudar. Mas porque Montreal? Bem, seria difícil o Wesley manter a casa sozinho com o salário de Quebec e eu apenas estudando sem trabalhar, então tivemos que vir pra cidade grande…rsrsrsrs. Estou considerando isso uma imigração dentro da imigração. Aqui é muito maior e bem mais diversificado culturalmente. Aqui a língua oficial também é o francês, mas o inglês esta em todo lugar. Aqui eu tenho uma nova chance de direcionar intensidade e sentimento em coisas que realmente valem a pena, afinal, aprendi um bocadinho do “ser imigrante” nesses 2 primeiros anos. Aqui eu Tenho a oportunidade de organizar minha cabeça, pois confesso que no ultimo ano eu perdi completamente o rumo das coisas. Vejo um caminho inteiro de possibilidades, mas resta a mim organizar os meus pensamentos para conseguir aproveitar melhor as coisas, cabe a mim deixar as minhas prioridades nada menos do que claras, para que eu não me perca e nem me engane no processo. Se tem uma coisa difícil de mudar, mesmo depois de mudar de cidade, mudar de país e depois mudar de cidade dentro de um novo país (se perdeu? rsrsrs) é mudar todos os meus medos e inseguranças. Ao mesmo tempo em que eu posso citar 10 aspectos meus que se transformaram, eu posso citar 20 que continuam os mesmos.

Bem, fazem 25 dias que cheguei em Montreal. Por enquanto ainda estou me acostumando com a cidade, sem uma rotina muito definida. A maioria dos dias foi so andando por ai para conhecer a cidade e resolver burocracias referentes aos estudos. Até agora tenho achado bem diferente de Quebec, mas estou levando de boa. Ja até andei tirando umas fotinhas das minhas andanças.

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Enfim, desejo para mim o NOVO. E que venha mais desafios, para que eu possa superar.

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Montréal

Montréal. O que pensar? Montréal talvez seja a cidade aqui do Quebec que mais receba imigrantes e que talvez tenha a maior diversidade cultural. A mais “badalada” eu também me arrisco a informar. Minha ida para lá não foi regada de empolgação. Primeiro porque eu fui basicamente para resolver um problema pessoal, segundo porque eu passaria apenas um dia e meio e terceiro porque foi em um fim de semana bastante frio. Como eu falei anteriormente eu fui para lá de trem e chegamos e por volta das 21:30, logo não deu para sair e fazer algo diferente no sábado… foi só chegar, ir para a o ap do nosso anfitrião e ir dormir.
Como íamos precisar pegar o metrô várias vezes nesse 1 dia e meio + o fim de uma noite, decidimos comprar o cartão para 3 dias e não nos arrependemos pois o mesmo faz integração com as linhas de ônibus e metrô e na metade do primeiro dia o que pagamos já havia sido compensado, digamos assim.

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No dia seguinte acordamos cedo e traçamos um pequeno roteiro. Nosso desejo era ir para o Mont Royal, em seguida para a Biosfera e depois nos encontrar com o nosso amigo para fazer algo de noite. Estava fazendo um frio desgramado com sensação de -32 graus e eu confesso que nessa altura do campeonato a minha lua de mel com o inverno já acabou e estou bem cansada de todos os preparativos para ficar ao ar livre e do frio congelante que sinto nos pés não importa o quanto eu me proteja. Enfim, como não estudamos o roteiro direitinho, conseguimos na primeira tacada pegar 4 ônibus errados e de integração em integração a paciência acabou tão rapidamente quanto o frio que sentimos por passar tanto tempo fora e só chegamos no nosso destino praticamente duas horas mais tarde que o planejado.
Chegando la no Mont Royal fomos correndo para uma cabana que tem por lá para tentar aquecer nossos pés. Não sinto muito frio nos braços e pernas, mas o frio que sinto nos pés compensa tudo (de forma negativa). Achei a cabana bem aconchegante e passamos um tempinho por lá aproveitando o ambiente e tomando chocolate quente.

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Em seguida subimos mais um pouco para chegar até um lugar onde podemos ver a cidade toda e é realmente muito bonito. Lá tem também um casarão e encontrei pessoas de todos os lugares e escutei as mais diversar linguas, inclusive português.

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Nosso desejo era em seguida ir para a Biosfera pois naquele fim de semana a entrada seria gratuita, mas como toda falta de organização é pouca, nos confundimos e fomos parar no Biodomo. Esse não era o nosso desejo pois queríamos fazer apenas programas free e para entrar no biodomo era preciso desembolsar algumas rainhas elizabeths. Para não perder o passeio nós acabamos dando uma voltinha no planetário que fica logo ao lado.

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Passamos um bom tempo no planetário e lá a disposição acabou completamente para enfrentar mais saídas e fomos direto para casa.

No dia seguinte nós fomos resolver nossos problemas e corremos para ir finalmente na biosfera, pois nosso trem partia rumo a Quebec novamente as 15:00. Nesse dia teve tempestade de neve e estava horrível pra ficar andando pra lá e para cá com as nossas mochilas pesadas nas costas. Chegando no nosso destino a alegria do pobre durou pouco pois a biosfera estava fechada… kuen kuen kuen.

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De lá fomos tentar salvar o nosso dia indo em um mercadinho que vende produtos brasileiros. Pelo menos isso deu certo e conseguimos comprar guaraná antártica, massa para pão de queijo, biscoito bono e moça fiesta. Infelizmente não tinha nescau.
Finalmente partimos para a estação de trem para voltarmos para casa.

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Eu acho que pelo fato de estar frio demais, ter acontecido tempestade de neve e ter sido corrido e confuso, Montréal não me encantou a primeira vista. Na verdade eu senti um “deja vu” em relação a São Paulo quando de trata de mendigos (vi demais) e alguns lugares meio sujos e esburacados. Agora fazendo um comparativo com São Paulo, o metrô de SP dá de 1000 a 0 no de Montréal.
A cidade não deixa de ser bonita, claro, na verdade a cidade é linda em muitos aspectos e com relação ao francês/ingles das pessoas no meio da rua o que eu mais escutei foi inglês ou qualquer outro idioma, mas nos restaurantes e outros lugares do tipo sempre nos atendiam com francês.

Quero voltar na cidade no outono. Tenho certeza que minha impressão vai mudar bastante. E quero voltar com mais tempo e dinheiro para poder aproveitar fazendo o máximo de programas diferentes possíveis.