Sentimentos aleatórios

Eis que 2014 passou e foi um ano tao intenso e tão bagunçado que em muitos momentos sinto que me perdi. Fiquei bestificada com tudo o que estava acontecendo que isso influenciou em outros campos da minha vida. Por exemplo, quando eu falo de mim, Raquel pessoa e não Raquel imigrante eu posso dizer com absoluta certeza que eu me esqueci, me deixei de lado, me deixei de fora da minha própria vida. Não fiz coisas por mim, não segui projetos, não me cuidei, não procurei aprender novas coisas e não fiz coisas que eu gostava e que não envolviam propriamente toda a frenesi do “primeiro ano de imigração” (tirando assistir séries, pois esse sempre foi o meu refugio para qualquer estado de humor, digamos assim).
Eis que o primeiro ano passou e mais do que nunca estou tentando achar um equilíbrio para mim. Quero voltar a escrever sempre no blog, quero sair mais pela cidade, quero fazer coisas que agreguem algo e não simplesmente ver a vida passando. Não estou planejando escrever um livro, não estou planejando virar artista plástica e nem nada fora das minhas limitações… simplesmente quero fazer coisas, preencher meu dia de momentos que me façam bem e que me ajudem a melhorar como pessoa.

Durante a passagem do ano o que eu mais pensava é: evite fazer metas para não gerar frustrações mais na frente. Pessimista que eu sou, sempre acho que não vou conseguir nada do que eu planejo. Mas todo dia mentalmente, mesmo sem querer, eu acabo traçando coisas que eu gostaria de fazer… e nossa, eu gostaria de fazer tantas coisas que nem ouso escrever. Sonho tanto… sonho acordada a ponto de me causar insônia. Antes de dormir a cabeça pira e eu crio todo um filme para a minha vida, com direito a personagens, figurinos e falas. Com direito a enredo, momentos tristes e felizes, crio cenas de superação e etc. Eu gosto da minha vida, amo onde estou, o que estou aprendendo, com quem estou dividindo meus momentos. Até os dramas eu sei valorizar pois me fazem aprender muuuita coisa, mas sonhar é algo que me define…rsrsrs. As vezes tenho raiva pois quero desesperadamente dormir e não consigo parar de pensar… Mas enfim, aprendi com a Xuxa que “Sonhos Sempre Vem Pra Quem Sonhar” rsrsrsrs.

Esses dias eu decidi sair da bolha das séries e voltar a explorar a blogosfera. Encontrei tanta coisa linda e que me deu um fôlego massa. Li blogs de meninas que eu acompanhava a 5, 6 anos atras e ver como estão as coisas para cada uma delas hoje em dia foi algo muito interessante. Quem é adepto a leitura de blogs pessoais sabe do que eu estou falando.
Conheci blogs novos também e me aprofundei em leituras de experiências pessoais, tentei interagir (coisa que não sei fazer com facilidade), me fiz de leitora ouvinte e fiquei feliz. É incrível como a felicidade realmente esta em pequenas coisas. As vezes você nem espera e simplesmente se vê feliz simplesmente em ler.

Falando em felicidade, hoje eu estava explorando o computador e me deparei com fotos do outono passado (estação mais linda da vida) e me senti super privilegiada por poder ver ao vivo e a cores cenários tão bonitos como esses.

DSC_0229
DSC_0079

DSC_0012

DSC_0013

DSC_0025

DSC_0030

DSC_0038

DSC_0040

DSC_0056

DSC_0069

DSC_0090

DSC_0144

Para quem gosta de video, eu tenho uma amiga que fez uma série linda no youtube acompanhando momentos das quatro estaçoes do ano aqui em Quebec. Hoje eu vou colocar aqui um video do outono, olha so:

E o post termina sem eu terminar minhas idéias. Sempre tenho essa sensação doida de que não escrevo nada com nada.

Anúncios

E as férias estão acabando

tumblr_n9xqm1yvKz1qcyt9mo1_1280

Faltam aproximadamente duas semanas para as aulas começarem e apesar de as férias de verão durarem uns 2 meses, a impressão que eu tenho nessa altura do campeonato é que não fiz nada, que o tempo passou e que meu ritmo não acompanhou. Claro que eu fiz vários passeios, curti com os amigos, descansei bastante e assisti minhas séries favoritas. Mas meus planos não eram apenas fazer isso… meus planos eram aproveitar esse tempo para me conhecer enquanto imigrante, me encontrar nessa nova cidade, pegar uma tarde de sol e ir pro parque ficar deitada na grama e ler… Queria ter ido andar de bicileta, fotografar a cidade e curtir a solidão que eu amo com o vento batendo nos meus cabelos e o sol me esquentando. Mas não, ao invés disso eu fiquei dentro de casa mesmo, do sofá pra mesinha de computador e da mesinha de computador pro sofá. Perdi a grande parte do tempo pensando no passado, analisando situações, fugindo de outras situações, tentando falar comigo mesma e não conseguindo. Fiquei meio confusa, pois ao mesmo tempo que queria curtir as novas amizades eu queria desesperadamente ficar sozinha e pegar esse período como um momento de autoconhecimento. Na minha vida inteira eu tento ter momentos de autoconhecimento e nunca rola… enfim, mas de eu ter diminuído bastante o meu ritmo nesses dois últimos meses, teve dias que as coisas aconteceram de forma frenética. Muitas saídas, amigos chegando para morar aqui, festas, shows e por aí vai. Isso foi o verão… que transforma todo mundo, que muda o humor de todo mundo e que me deixou por dias, uma pessoa irreconhecível.
De toda e qualquer maneira foi super válido. Adorei dar essa parada… o primeiro ano de um imigrante é bem marcante e acredito que o meu está sendo, da sua maneira, marcante também.

balanço dos últimos tempos

Estamos prestes a completar 10 meses de Québec e como eu sempre digo para mim mesma: “parece que eu vivi uma vida nesse tempo e ao mesmo tempo parece que eu ainda não fiz nada”.
Depois que o gelo derreteu, isso já no meio da primavera, a ciade se transformou completamente e junto com ela, eu também me transformei. Por um tempo eu não sabia se era euforia, alegria ou empolgação, mas em várias ocasiões eu me vi irreconhecível no modo de agir. Eu que era (sou) super caseira, não queria ficar dentro de casa um minuto e eu que fazia (faço) a linha solitária, queria estar o tempo todo rodeada de pessoas e fazer mais e mais amigos novos. Essa mudança repentina de comportamento que veio junto com a primavera/verão acabou por se transformar em algo ruim em alguns aspectos pois eu me decepcionei com algumas pessoas e situações chatas foram criadas.
Uma coisa é fato: imigrar me trouxe mais amigos do que eu tinha no Brasil. Amigos mais próximos, amigos que frequentam minha casa e eu a deles, coisa que não acontecia no Brasil em termos de quantidade e frequencia. Por exemplo, passamos 2 anos morando em Sorocaba antes de vir para cá e adaptação lá foi bem mais difícil que aqui nesse sentido. Era sempre somente eu e o Wesley e as vezes conseguíamos encontrar a Ciça e o Rafa que moravam em outra cidade, mas lá em Sorocaba mesmo, até mesmo na faculdade, não consegui criar laços profundos como estou criando aqui, ainda que eu guarde na memória e no coração pessoas especiais como uma amiga de faculdade, um professor e meu ex-chefe.
Aqui, por estarmos longe da família e dos amigos, os laços acabam sendo feitos mais rapidamente e quando menos percebemos já temos um grupo legal de amigos com quem podemos contar… ainda que, como diz a Flávia, uma brasileira que mora aqui, “não é por ser brasileiro que você vai gostar da pessoa ou ela de você…”. Essa é a mais pura verdade…
Continuando: tendo tantos amigos brasileiros assim, não é de se estranhar que o meu nível de francês avance a passos lentos. Eu falo, penso e vivo o português a maior parte do meu dia. No curso de francês as oportunidades de treinar a fala são raras pois o foco é mais gramática e aqui, por mais educados que os quebecos sejam, acho que jamais serão receptivos a uma pessoa de fora como nós. Então eu que falo pouco, não tenho emprego (ainda) e não estou indo para faculdade (ainda) me sinto morando em um país diferente mas sem imersão total pois não consigo me relacionar com as pessoas daqui. Mas claro que cada caso é um caso… estou falando de mim.

Nesse momento estou de férias do curso… o verão veio super agradável, com um calor delicioso e muitos passeios ao ar livre para patinar, tomar sorvete, fazer pic nics, ir para restaurantes, soirees, piscina, trilhas, festival de verão e uma infinidade de outras coisas. Depois de um inverno longo, quando o verão chega, a cidade muda completamente de paisagem e as pessoas de humor. É algo contagiante de se ver. Sempre que está fazendo um clima bom e que saio de casa e me deparo com tantas pessoas felizes da vida, não tem como esse sentimento não vir até mim como uma onda… é realmente algo lindo!

Separei aqui algumas fotos que foram tirada,s algumas por mim e a maioria pelo meu esposo, durante esse período mais colorido de Québec. Acho que hoje deixo meus devaneios por aqui, mesmo que incompletos (como sempre).

DSC_0001
DSC_0002

DSC_0006

DSC_0007

DSC_0027

DSC_0031

DSC_0033

DSC_0043

DSC_0044

DSC_0060

DSC_0061

DSC_0063

DSC_0097

DSC_0108

DSC_0112

Aaaah, uma última coisa: viram que fofo o novo topo do meu blog? Ganhei a ilustração de presente de uma pessoa muito querida que contratou uma ilustradora profissional para fazer um desenho meu rodeada das coisas que mais gosto e de algumas coisas que representam a minha mudança para cá. Me diz se não ficou fofo? Como é que eu posso deixar o blog desatualizado por tanto tempo agora?